SOS AJUDA MÉDICA

 

 

 

 

 

 

Excelentíssimo Senhor Doutor,

Excelentíssimo Senhor Investigador,

 

Tenho 36 anos, sou do sexo masculino e sinto um enorme desgosto por sofrer de tendências homossexuais não desejadas, facto que me tem atormentado desde os 13 anos de idade.

 

Nunca tive qualquer tipo de experiência sexual, quer por medo e/ou vergonha do sexo (no caso das relações heterossexuais), quer por decisão própria, tomada de forma consciente, de acordo com os meus princípios e convicções (no caso das relações homossexuais). Com isto, pretendo tão somente preservar a pouca auto-estima e dignidade que me restam, enquanto me agarro à esperança (ou ilusão) de um dia poder ser 100% heterossexual, evitando entretanto acrescentar outro elemento à lista de coisas de que me possa arrepender ou recriminar a posteriori.

 

Considero-me o exemplo acabado de como a orientação sexual não depende da vontade do indivíduo nem tão pouco corresponde a uma decisão deliberada e livre do mesmo, pois a ser assim não teria que sofrer com a falta de acordo entre o meu lado racional, ético ou lógico-dedutivo e o meu lado emocional, sensível ou instintivo.

 

Com o passar dos anos, sinto cada vez mais desgosto de ser o que sou. Por vezes, chego mesmo a desejar nunca ter nascido. Não consigo aceitar-me nem conformar-me com a minha pouca sorte. Não existe qualquer tipo de psicoterapia de apoio ou de afirmação positiva que me faça aceitar pacificamente aquilo de que sofro. Isto porque basicamente não vejo nada de benéfico, exaltante ou desejável em ser diferente da grande maioria das pessoas no que toca à orientação sexual. Considero até a homossexualidade um infortúnio, algo de abominável e repugnante – não condenável, pois nada me move de moral ou religioso contra a mesma – até porque sou agnóstico e laico. Trata-se apenas de um desgosto pessoal que sinto por não ser como gostaria de ser.

 

Assim sendo, entrevejo apenas 2 cenários possíveis:

 

1)     ou permaneço na situação em que me encontro e tenho que suportar o desgosto e o sofrimento até ao fim dos meus dias;

2)     ou trato-me e consigo suprimir todo e qualquer sentimento de carácter homossexual, resgatando assim toda uma vida até agora marcada pela tristeza e solidão.

 

Caso Vossa Excelência saiba de algum tratamento médico ou tenha alguma investigação em curso que tenha por objectivo esclarecer os mecanismos biológicos que determinam a orientação sexual nos seres humanos (com vista, entre outros, à obtenção de um método seguro e eficaz que permita a todos quantos sofrem com este problema tornarem-se heterossexuais), por favor, contacte-me através do seguinte endereço de correio electrónico:

 

danielmarques2[arroba]sapo[ponto]pt

 

Resido em Lisboa e estou na disposição de experimentar um tratamento que me permita ser aquilo que tão ardentemente desejo ser, há mais de 20 anos: um homem heterossexual!

 

Caso sofra do mesmo problema ou simpatize apenas com este meu pedido assine, por favor, a minha petição online:

 

Pelo Direito ao Tratamento da Homossexualidade Egodistónica

 

Esta tem por objectivo reunir o maior número possível de assinaturas e apoios, de modo a sensibilizar a comunidade médica e científica para a descoberta de um método seguro e eficaz que permita a todos aqueles que se sentem infelizes com as suas tendências homossexuais indesejadas, tornarem-se naquilo que sempre desejaram: homens (ou mulheres) heterossexuais.

 

 

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Actualizado em 01-10-2010